Como descobrir novos materiais? À primeira vista, a resposta parece simples: basta criar algo que ainda não existe. Mas o verdadeiro desafio começa quando percebemos a escala absurda do problema. Considere apenas 80 elementos “amigáveis” da tabela periódica, excluindo gases nobres e elementos artificiais ou altamente radioativos. Variando a composição em passos de 1% em mol, a análise combinatória já aponta para cerca de 10⁵⁶ composições possíveis. E isso sem levar em conta diferentes valências, isótopos ou as inúmeras formas de arranjar esses átomos no espaço. Quando todos esses fatores entram na conta, a estimativa salta para algo em torno de 10¹⁰⁰ materiais possíveis. Nesse cenário, criar um “novo material” é, na verdade, trivial. O verdadeiro desafio é encontrar um novo material que seja relevante para uma aplicação específica. E aí sim o problema se torna encontrar a famosa agulha no palheiro. Por muito tempo, essa busca foi conduzida por tentativa e erro, guiada pela intuição de especialistas. Um processo valioso, mas extremamente custoso em tempo, recursos e esforço humano. A resposta moderna a esse gargalo é um casamento promissor: a união entre a Ciência dos Materiais e a Ciência dos Dados. Usando modelos preditivos e algoritmos de otimização, é possível navegar nesse espaço de busca gigantesco de forma muito mais inteligente e eficiente. Esse campo recebe o nome de Informática de Materiais, e é exatamente ele que exploraremos nesta palestra, com conceitos-chave ilustrados por trabalhos já publicados e pesquisas em andamento.
O “Diálogos Ilum” é gratuito e podem participar educadores, potenciais alunos e demais interessados por ciência e ensino.
São realizados online, sempre às quartas-feiras, às 16h30.






