Uma equipe formada por alunas da faculdade do CNPEM, a Ilum Escola de Ciência, conquistou o primeiro lugar do Desafio Unicamp, a principal competição de modelos de negócio baseados em tecnologias patenteadas pela universidade. A equipe LumiNova, levou o troféu na categoria Avaliação da Banca e também venceu o Voto Popular, um feito duplo em uma edição que reuniu 324 inscritos, 80 equipes e participantes de 54 instituições diferentes.
O projeto vencedor partiu da patente do complexo AgNMS, uma formulação que associa íons de prata a um anti-inflamatório para otimizar o tratamento tópico do câncer de pele. A partir dessa tecnologia, desenvolvida no âmbito do CEPID CancerThera, as estudantes construíram um plano de negócios completo, apresentado à banca julgadora depois de meses de mentorias, workshops e estudo de viabilidade comercial.
Esse trânsito com naturalidade entre a linguagem técnica de uma patente farmacêutica e a lógica de um plano de negócios não nasceu do acaso: é reflexo direto do modelo de formação da Ilum, que combina desde os primeiros semestres a imersão em pesquisa de ponta com disciplinas voltadas à inovação e ao empreendedorismo científico.

Lília Gavazza, que reuniu o grupo, conta que a equipe buscava um projeto que unisse as diferentes áreas de interesse das integrantes a um forte apelo de mercado. Ao conhecer a tecnologia do AgNMS, a resposta foi imediata: “quando a gente viu esse projeto, todo mundo ficou muito animado. E quanto mais a gente estudava, percebíamos a dimensão do projeto ficávamos cada vez mais animadas com isso.”
A trajetória se cruzou diretamente com a formação oferecida pela Escola. As estudantes cursaram a disciplina Modelagem e Empreendimentos Inovadores no mesmo período em que disputavam o desafio. Para Lívia Aragão, as experiências se complementaram: “estávamos aprendendo muito da área, tanto com a professora Aline (Pascon) quanto no próprio desafio. Isso foi muito importante, porque descobrimos conceitos, pessoas e detalhes importantes que talvez não tivéssemos tanta dimensão se fosse de outra forma.”
Para Mariana Melo Pereira, a experiência reforçou um princípio que já orienta a formação da Ilum: o de que a pesquisa só faz sentido quando chega à sociedade. “Não faz sentido a gente produzir ciência sem ter essa devolução para a sociedade. É justamente a inovação e o empreendedorismo que trazem esse pensamento, para que a gente consiga tornar as tecnologias acessíveis ao maior número de pessoas”, diz.
Essa mesma lógica formativa aparece na forma como a equipe organizou o próprio trabalho em grupo. Gisela Kassick lembra que, com um cronograma intenso de mentorias simultâneo às aulas na Ilum, nem sempre era possível que todas as integrantes participassem de cada etapa do concurso e que o hábito de repassar conhecimento entre colegas, comum na rotina da Escola, foi decisivo: “o que acontecia muitas vezes é que só uma ou duas de nós participava de uma monitoria, e o conhecimento que a gente adquiria ali era repassado para as outras. Isso fez com que cada parte do projeto que uma de nós fez fosse realmente conectada, e não partes isoladas.”
Samarah Ramos destaca o significado de propor uma solução que possa efetivamente chegar ao Sistema Único de Saúde. Para ela, participar do desenvolvimento de um modelo de negócios voltado ao SUS reforça o que considera o maior valor da inovação: “o câncer de pele é o câncer mais comum no Brasil. Poder trazer um tratamento para uma doença que afeta tantas pessoas, e facilitar esse processo, é um grande marco para a gente.”
Além do reconhecimento simbólico de ser a primeira turma da Ilum a chegar ao topo da competição, a vitória rendeu à equipe prêmio em dinheiro, um ano de curso pela consultoria FM2S e acesso a mentorias da Baita Aceleradora, incubadora empresarial da Inova Unicamp voltada a transformar em realidade projetos como o das alunas. O grupo já mantém contato com a equipe de gestão de projetos da incubadora para dar continuidade aos próximos passos da tecnologia.
Sobre a Ilum Escola de Ciência
A Ilum é uma escola de Ensino Superior gratuita, que emprega uma abordagem interdisciplinar para a formação de cientistas e profissionais em Ciência e Tecnologia. Com um modelo educacional inovador, o bacharelado de três anos oferece aulas em tempo integral, conectando Ciências da Vida, Ciências da Matéria, Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Humanidades para formar pesquisadores aptos a atuar de forma ética e colaborativa na busca por soluções às questões globais do século XXI. A Ilum é financiada pelo Ministério da Educação (MEC) e integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua proposta de ensino oferece contato precoce com atividades experimentais, seja nos laboratórios didáticos da Ilum ou no CNPEM, em projetos desenvolvidos junto aos pesquisadores.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.







