Três alunos do último ano da Ilum Escola de Ciência, faculdade do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), conquistaram o primeiro lugar no Hack2L, um hackathon sobre agentes de IA, promovido pela Canastra Ventures e Liga Empreendedora, em parceria com o Instituto de Computação da Unicamp. A equipe vencedora reuniu os alunos da Ilum Rafael Anis Shaikhzadeh Santos, de Salvador (BA), Caio Marcelo Cavallari Ruas, de Tangará da Serra (MT), e Thalles José de Souza Cansi, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), todos concluindo o último ano da graduação, além de João Vitor Pires de Souza, estudante de Estatística da Unicamp e estagiário da Ilum.
A competição reuniu cerca de 50 participantes, distribuídos em equipes. O desafio: usar agentes de inteligência artificial para resolver tarefas manuais e repetitivas do dia a dia corporativo. Os times tiveram cerca de quatro horas para conceber, programar e preparar a apresentação de um protótipo funcional para uma banca avaliadora.
A ideia da equipe nasceu na véspera do evento, durante uma reunião informal na casa de um dos integrantes. O resultado foi o Viu AI, um agente pensado para auxiliar empresas na gestão de marketing e redes sociais. A proposta é que ele monitore continuamente plataformas como YouTube, LinkedIn, X (antigo Twitter) e Reddit em busca de menções à marca, identificando se o público está reagindo bem ou mal a determinado produto ou campanha. A partir dessa leitura, o agente sugere pautas de conteúdo alinhadas a oportunidades de mercado e sinaliza riscos, como uma possível queda de reputação.
Um dos diferenciais do projeto é o chamado closed loop: o agente não apenas planeja publicações, mas também acompanha o desempenho de cada post depois de veiculado, fechando o ciclo entre planejamento e resultado. Recurso que, segundo a equipe, poucas ferramentas do mercado oferecem de forma integrada. Na pesquisa que fizeram antes de definir o escopo do projeto, os estudantes encontraram concorrentes estrangeiros com propostas parecidas, mas nenhum concorrente direto no mercado brasileiro.
“Foi algo que realmente todo mundo trouxe junto, a gente fez um brainstorm, como se costuma dizer, e a ideia foi surgindo em conjunto. Não dá nem para dizer quem trouxe a ideia primeiro”, conta Thalles José de Souza Cansi.
A rotina da Ilum, segundo os estudantes, foi decisiva para o desempenho na etapa de apresentação, normalmente o ponto mais delicado de um hackathon, em que times têm minutos para convencer uma banca do valor do que construíram sob pressão.
“A gente se acostuma muito a apresentar projetos sempre para uma banca disposta a avaliar e apontar pontos a melhorar. Então, na hora do pitch, mesmo sem muito tempo de preparação e sem poder ensaiar, foi algo bem natural para a gente”, avalia Rafael Anis Shaikhzadeh Santos, lembrando que a comissão avaliadora destacou justamente a coerência da equipe em atender a todos os critérios esperados.
O grupo credita o resultado à combinação de disciplinas cursadas na Ilum, que reúne inteligência artificial, ciência de dados e empreendedorismo em sua matriz curricular. As matérias de machine learning e IA deram a base técnica para programar o agente, enquanto as disciplinas voltadas a startups ensinaram a pensar em modelo de negócio e a sintetizar uma ideia complexa em um pitch de três minutos.
Sobre a Ilum Escola de Ciência
A Ilum é uma escola de Ensino Superior gratuita, que emprega uma abordagem interdisciplinar para a formação de cientistas e profissionais em Ciência e Tecnologia. Com um modelo educacional inovador, o bacharelado de três anos oferece aulas em tempo integral, conectando Ciências da Vida, Ciências da Matéria, Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Humanidades para formar pesquisadores aptos a atuar de forma ética e colaborativa na busca por soluções às questões globais do século XXI. A Ilum é financiada pelo Ministério da Educação (MEC) e integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua proposta de ensino oferece contato precoce com atividades experimentais, seja nos laboratórios didáticos da Ilum ou no CNPEM, em projetos desenvolvidos junto aos pesquisadores.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.







